-Aliste-se.Isso lhe dará algo sobre o que escrever.
-Becker,há sempre algo sobre o que escrever.

Charles Bukowski- Misto Quente.

12 de dez de 2011

Oi.

Cá estou, de novo.
Encostada nesse muro vermelho. O mesmo muro que, quando pintaram de branco, manchou minha jaqueta de couro. Lembra?
Lembra como fiquei brava? Lembra como procuramos na internet as mais inusitadas formas de tirar a mancha? Pois bem, ela continua manchada. Acho charmoso.
Mas é que nunca fui cuidadosa com nada, você sabe. Tem todos esses enfeites de louça que compro porque acho bonitinho, mas não duram muito, não. Caem no chão.
Celular? Lembra aquele que, quando eu caí de skate, 'tava no meu bolso e nunca mais funcionou? Então. Joguei tanto ele na parede.
E tem outra coisa também que me acalma: escrever tudo que tô sentindo num papel, amassar e jogar fora. Rasgar em pedacinhos também. Eu provavelmente faria isso agora, se eu não tivesse certeza de que tinha alguma coisa bonitinha pra escrever, guardar, e depois mostrar pra você, dizendo ''ó... eu tava com saudade, aí escrevi isso pra você, enquanto esperava o ônibus.''
Acho que a saudade não é de você. Mas, bem, não me ache maluca, até o ar é diferente quando você tá perto, respirando comigo. A luz do sol é mais bonita, também.
E agora, tá tudo tão diferente e tão... vazio.
Vazio, mesmo. Olhei pro céu ontem a noite e passei tanto tempo procurando uma estrela. Não sei se é culpa da saudade, da minha miopia ou da poluição. Sei lá, né. Mas é diferente.
Mas de você, como pessoa... Pra ser sincera, não lembro a cor dos seus olhos, nem sua altura. Qual sua banda preferida, mesmo? E o filme? Não sei, não sei.
A minha banda preferida é Violins, tem uns dois anos já. E o filme - eu sempre respondo que é Minority Report, mas assisti a tanto tempo que só lembro da cena em que o Tom Cruise tira o globo ocular de um cara pra abrir uma porta. Mas quando assisti, achei demais. Hoje, talvez, meu filme preferido seja Sucker Punch. Ou aquele documentário do Bukowski. É que você nunca me perguntou, né?
E também, eu mudo tanto de opinião sobre tudo. Talvez você seja assim também.
Sabe, tem dias em que é mais difícil. Eu fico sentada, olhando pela janela, ou pros meus pés, ou pro chão, pensando no que poderia ter sido, e como teria terminado?... Se ao menos tivesse começado.
E eu penso em como eu procuro pedacinhos de você em outras pessoas, na rua, quem sabe, só pra lembrar um pouco, e eu me pergunto 'Será que se alguém passar do meu lado usando o mesmo perfume que você usava eu vou reconhecer?'



Ah, eu gostava tanto daquele perfume.


4 comentários:

  1. ótimo texto, trazendo a ideia do pós-conteporâneo, a questão de marcar os sentidos do presente sem saber o que houve nele, é capacidade maxima do ser humano ser uma verdadeira metamorfose!

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  2. Nossa Ju, lindo o seu texto *__*

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